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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Expurgo no Natal

O ano é 2022. Os EUA diminuíram em 90% seus índices de criminalidade, o país nunca vivenciou tanta paz; talvez nem o mundo tenha visto. Dizem que não existe almoço grátis na natureza, e eu acho que essa frase tem algo em seu cerne que diz muito sobre esse cenário futurista. Paraísos tem um preço, e no caso dessa realidade distópica, o preço é pago em um dia, em troca de 364 dias de paz. É o Dia do Expurgo. A história fora marcada em antes e depois a partir do momento em que foi proposto que todos os americanos vivem em absoluta paz e solidariedade em troca da oportunidade de expurgar toda a sua raiva, ódio, intolerância e agressividade em apenas um dia do ano; neste dia, a lei não funciona, emergências não funcionam, policiais tiram folga. Todos sem exceção são liberados para matar, estripar e mutilar quem quer que seja. Todos os maus sentimentos e intenções seriam expurgados, como numa catarse psicopática.

Essa é a sinopse de The Purge, que estreou este ano. A plot é original pois nos dá a oportunidade de refletir sobre a nossa natureza e a da sociedade em que vivemos. Mas, para além das questões sobre se somos realmente esses animais perversos buscando oportunidades para exercer violência, esse filme me trouxe importantes questões em relação ao Natal.

terça-feira, 2 de abril de 2013

"Quem vê cara, vê coração": uma possível forma de identificar criminosos violentos



Há algum tempo escrevo artigos sobre neurociência das emoções e expressões faciais para o Ibralc (Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal). Em dos mais recentes textos, abordei a possibilidade de inferirmos se um sujeito é psicopata, somente através da observação da face neutra. Segundo o estudo no qual me embasei, a estrutura esquelético-muscular da face poderia revelar algo sobre isso.

O post foi polêmico, muitas pessoas mencionaram que seria um retorno à frenologia, à Lombroso, mas o que tentei explicar é que eu tinha me baseado em um estudo, não era eu quem estava afirmando aquilo. E, além disso, o próprio autor do estudo em questão ressalta que trata-se de um experimento pioneiro, e que seus resultados deveriam ser replicados por outras pesquisas.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Pensar no não-pensamento



Em resumo fazer zazen é parar de fazer tudo,

ficar de frente para a parede e sentar,

sendo apenas você mesmo que é somente o self, o eu, o si mesmo – Daissen  


O zen-budismo não é uma religião, tão pouco uma filosofia – ao menos não no estilo grego que conhecemos. Como li certa vez num post no blog do monge Gensho, trata-se de um pragmatismo dialético psicológico. E como tudo vindo do Oriente, é misterioso à primeira vista. Um de seus pressupostos mais intrigantes é o de que para vermos as coisas como são, devemos abdicar da dualidade constante que caracteriza nossas vidas – bom e ruim, escuro e claro, chato e legal, difícil e fácil – permeadas pela linguagem. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Uma longa experiência em meditação pode mudar suas respostas emocionais


O Ocidente tem se interessado pela meditação desde o tempo dos Beatles, um dos primeiros grupos de astros a se interessar pela prática e trazê-la para cá. Desde então, esse interesse vem sofrendo manutenções que aumentam ainda mais nosso fascínio por ele. 

Uma renovação nesse interesse foi promovida pelo Dalai Lama, que desde sempre manifesta uma mente curiosa, amigável e aberta às investigações científicas sobre as práticas budistas. Nesse sentido, ele vem contribuindo bastante desde as suas próprias explicações em entrevistas e livros até o envio de monges para laboratórios devários países para serem estudados. 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

No fundo, todas as decisões são irracionais



Na Grécia Antiga, o filósofo Aristóteles disse que o homem era um animal racional, e essa seria a característica distintiva entre nós e os outros animais. No entanto, hoje temos motivos para supor que essa classificação supervaloriza um processo mental que pode não significar tanto assim na maioria dessos processos de decisão.

Como nós decidimos? A resposta mais intuitiva é que nós analisamos os prós e contras das opções e em seguida deliberamos a melhor opção. Tudo isso seria feito através da razão. Uma simples ida ao supermercado ou ao shopping é o suficiente para colocarmos esse dom em prática. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Usando a meditação para controlar impulsos

 Autor: André Rabelo
 Blog: Socialmente

Reações impulsivas podem ser um problema sério na vida de muitas pessoas. Assim como o Cookie Monster, personagem da vila sésamo, podemos ter poderosas reações impulsivas ao nos depararmos com algo que gostamos muito, como biscoitos, no caso dele. A impulsividade alimentar pode agravar quadros de obesidade e também problemas de pressão alta, colesterol e depressão. Se considerarmos que as nossas mentes podem ser influenciadas de maneira tão automática por pistas no ambiente, como alimentos saborosos na prateleira de uma cozinha, seria muito útil se conseguíssemos desenvolver procedimentos que ajudassem as pessoas a se regularem.

domingo, 20 de maio de 2012

O Cérebro e a Face: A simples imitação de uma expressão facial pode modificar nosso estado emocional


Nos anos 70, o psicólogo Paul Ekman começou a investigar se as expressões faciais seriam universais ou se eram simplesmente um produto cultural. Desde então, contrariando sua própria tese inicial – de que seriam relativos ao contexto social - , Ekman concluiu que existe uma boa quantidade de evidências para deduzir que trata-se de uma característica universal. Apesar disso, pesquisadores discordando nunca faltaram. Um dos focos dessa crítica é a alegação de que o sorriso não se referiria sempre à emoção da alegria (O que é emoção?), mas também a emoções negativas (Birdwhistell, 1970) dependendo da cultura em questão. Não obstante, em parceria com Davidson, Ekman promove um interessante estudo para verificar a afirmação de um contemporâneo de Darwin – o neurologista Duchenne - , de que na verdade haveriam vários tipos de sorriso mas que um seria o legítimo da emoção alegria. Este estudodemonstraria se a hipótese de Duchenne está realmente correta à nível neurológico, o que também fornecerá um importante insight para pensarmos a opinião de Birdwhistell (Ekman & Davidson, 1993). 

sábado, 17 de março de 2012

O Que São Emoções?

Geralmente, no senso comum, empregamos a palavra “emoções” para nos referirmos a diversas experiências internas que vivemos ao interagirmos com outras pessoas ou mesmo quando estamos sozinhos. Com frequência, o termo também é usado como sinônimo de sentimento, humor e etc. Mas será que, à rigor, trata-se mesmo de palavras sinônimas? Ou, ainda, o que, afinal, é uma emoção?

O estudo acadêmico dessas questões é antigo, no entanto, aqui, iremos nos deter aos estudos do século XX em diante, época esta que, através de estudos científicos, acaba resgatando grande parte daquilo que Darwin especulou um século antes.