sexta-feira, 12 de julho de 2013

O Homem de Aço não é o suficiente

“É fácil”, ele dizia.
“Espalhe só algumas sementes de cada vez.
Distribua igualmente no sulcos.
Deixe espaço entre elas.”
Meu pai sabia que nem todas vingariam,
Mas queria dar a cada uma a chance de crescer.
Superman – Paz na Terra

O que os heróis poderiam fazer realmente por nós? Se eles fossem uma realidade, será que só existiriam para enviar super-vilões para prisões especiais de máxima segurança – de onde fogem com frequência – ou fariam algo para não só podar as ervas daninhas do mundo, mas para se certificar de que elas não mais nascessem? E mais: será que podemos falar de alguém perfeito moralmente num mundo banhado pela imperfeição?

domingo, 23 de junho de 2013

Confusões entre o método científico e atravessamentos sociais na motivação científica

Os debates suscitados pelo DSM V perpassam várias áreas. A psicologia, a psiquiatria, sociologia e outras, estão fortemente imbricadas nas consequências desse manual (não só pela publicação de um novo, com modificações em relação ao anterior, mas pela existência em si, de um livro como esses). No meio das várias críticas traçadas – nas quais o transtorno pego como Judas é sempre o TDAH – algumas se sobressaem. Umas, por serem muito boas e nos levarem a uma reflexão profunda sobre nossas práticas terapêuticas, as teorias que embasam essas práticas e qual sociedade estamos criando com elas. Outras, destacam-se pela repetição de frases prontas – na verdade, rixas prontas e antigas que quando mencionadas dão ar de intelectualidade – e alguns argumentos falaciosos.

sábado, 15 de junho de 2013

Cortados pela Guilhotina de Hume - Marina Ruy Barbosa e Paes

Recentemente, a atriz Marina Ruy Barbosa se envolveu numa polêmica ao dizer em entrevista que “é difícil mulheres rodadas encontrarem um cara legal”. Logo depois, em sua página de uma rede social, Nana Gouveia, diz:
"Ah! Como eu quis dizer essas palavras quando li o que essa garotinha mimada, preconceituosa e que não sabe absolutamente nada da verdade da vida falou nessa tal entrevista. Marina Ruy Barbosa: 'Criança, suas palavras foram de uma ignorância machista sem dimensões. O que você mostrou com seus comentários foi tão somente que você deseja que as pessoas que lhe considerem uma puritana". 
Fiquei sabendo dessa história ao ver no facebook várias moças que se consideram feministas, criticando a atriz. Diziam, basicamente, o que a própria Nana disse, que Marina era preconceituosa e machista. Pensando na atual linha de raciocínio que as pessoas estão seguindo, a opinião de Marina realmente foi bem retrógrada, principalmente considerando sua idade. Mas acredito que a coisa não seja tão fácil de criticar quanto as feministas acreditam. Existe uma diferença essencial entre o ser e o dever ser que muitas críticas acaloradas e passionais deixam de considerar. Essa diferença consiste em deixar claro que às vezes nossa opinião toma por base aquilo que a sociedade faz, outras, o que a sociedade deveria fazer. 

sábado, 25 de maio de 2013

A discussão sobre o DSM continua: mas será que as críticas estão, todas as vezes, corretas?


Depois que escrevi um texto criticando o artigo da Eliane Brum, muitos comentários surgiram, principalmente no facebook. Eles foram bem relevantes pois só me fizeram constatar algo que já percebia há tempos: as pessoas das áreas de Humanas não entendem bem como funcionam outras áreas. E, em parte, isso não é culpa exclusiva dos alunos, mas de todo um sistema que sustenta uma guerrinha besta entre os “biologizantes e os humanistas”, como se meio ambiente, organismo e comportamento estivessem desconectados. Inclusive, já abordei temas relacionados a isso por aqui

Os alunos e o público em geral não compreendem bem a relação entre biologia, comportamento, mente, cérebro, psicologia, subjetividade, ambiente, cultura, sociedade e etc. Na teoria, eles (galera de Humanas) dizem que todos esses elementos nos atravessam, resultando no que somos, mas na prática, vá numa sala de aula tentar explicar humildemente o aspecto biológico de dado comportamento. Virá uma avalanche de adjetivos como reducionista, determinista, biologizante e etc. Mas se você menciona influências sociais, aí é aplaudido; não precisa nem dizer que outroas esferas interferem na questão, só o social os satisfaz (Leia Inato x Aprendido 1 e 2).

terça-feira, 21 de maio de 2013

O DSM não é tão vilão assim

A Eliane Brum é uma ótima articulista - de acordo com minha opinião "colifórmica" que provavelmente não é muito qualificada para julgá-la - mas acho que quando ela e outros resolvem criticar o DSM o que vem é uma "chuvarada" de senso comum e precipitações. Sim, esse novo DSM (o manual que contém todos os transtornos psiquiátricos catalogados até então) contém muito mais transtornos, de forma que facilmente o leitor desavisado pode ler e já ir se encaixando em algum perfil lá dentro. Mas o que isso significa? A resposta se entrelaça com a própria intenção por trás do DSM: o manual existe para que os psiquiatras do mundo todo possam agir uniformemente à respeito de diagnósticos e tratamentos. É uma mera formalidade necessária se não quisermos criar uma clínica extremamente subjetiva em que vale tudo em termos de tratamentos, teorizações e etc e que ao mesmo tempo, por tanta diversidade, não se chega a lugar algum nem prática nem teoricamente. O manual não serve para que compre cada cidadão o seu exemplar e saia por aí se diagnosticando, como se fosse um horóscopo do jornal de domingo.

domingo, 5 de maio de 2013

Iron Man 3: Foi bom ou não?



É a primeira vez que opino publicamente por aqui sobre algum filme de herói. Sou fã incondicional de quadrinhos, daqueles que vai ao cinema prestigiar a adaptação mesmo sabendo que pode vir uma bomba pela frente – como veio nos dois filmes do Motoqueiro Fantasma.

Por que resolvi fazer isso só agora? Não sei ao certo. Uma das minhas hipóteses é que eu fiquei tão estupefato com os últimos filmes da Marvel e da DC, que me senti até inibido ou bloqueado para escrever algo. Mas, bom, isso é sobre porque eu não tinha escrito antes, mas não responde por qual motivo fiz agora. Defendo a ideia de que Homem de Ferro 3 foi um filme empolgante – seria impossível não ser com o Robert Downey Jr. – mas que teve falhas e excessos que me fizeram respirar e analisar a coisa um pouco longe do calor escandante de “marveteiro”.