domingo, 28 de fevereiro de 2010

Big Bang

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Um dia desses me deparei com uma edição da revista Isto É e resolvi dar uma lida. A matéria da capa, sobre os mistérios da ciência, na verdade era meio estranha porque me pareceu que os itens citados eram uma mistura de coisas que realmente a ciência não tem uma resposta decisiva e coisas que apesar de a ciência já ter respondi e ter até uma boa dose de evidências para apoiar as respostas, as pessoas não ficam satisfeitas com as respostas dadas. O principal item desse último tipo foi o sobre o Big Bang, que inspirou esse post.

A teoria do Big Bang foi aceita pela comunidade científica no início do século XX, mas, curiosamente, ela foi proposta inicialmente por um astrônomo e físico que também era um padre, chamado Lemaitre. Na época, o padre chamou o tal modelo de “átomo primordial”. A comunidade científica não recebeu muito bem sua hipótese e apelidou seu modelo de Big Bang, de maneira irônica. Lemaitre afirmava basicamente o que a teoria afirma atualmente, porém, ainda não se tinha evidências numerosas sobre o evento.
Com os rigores atuais, o Big Bang é descrito como um momento de singularidade, ou seja, toda a matéria do universo estava espremida em um único ponto do espaço. A pressão ali era monstruosa e a temperatura era inimaginável para quaisquer padrões atuais. Em algum momento essas condições se tornaram tão extremas que o pontinho entrou em colapso. Nesse momento, toda a matéria se espalhou e o próprio espaço foi criado juntamente com o tempo. Aos poucos as partículas resultantes foram se agrupando em prótons, nêutrons, e mais tarde em átomos, conforme o universo esfriava. E assim foi, até que surgiram estrelas e depois os planetas. Isso ocorreu há mais ou menos 13 bilhões de anos atrás. (Quer saber o que as estrelas tem a ver com a existência da vida na Terra?, clique aqui)

A matéria na Isto É dizia que não existem provas de que o Big Bang realmente aconteceu. Bom, na época em que a teoria foi proposta por Lemaitre realmente não existiam provas, mas hoje existem inúmeras: expansão cósmica e radiação cósmica de fundo são as mais populares. Então, o que exatamente a revista quis dizer ao dar a entender que não existem provas e que a ciência ainda não conseguiu responder exatamente como o universo surgiu? Acho que o que faltou ser esclarecido é que o que a ciência não pode comprovar ainda é se existia algo antes do Big Bang, se existiram outros Big Bangs ou mesmo os detalhes sobre as leis físicas que região aquele momento. Sim, não existem evidências que fundamentem essas respostas. Mas isso não quer dizer que não existam provas para o Big Bang em si. A própria singularidade, que descrevi no início, é um mistério ainda. Ela se trata de um momento em que a Relatividade Geral e a Mecânica Quântica estavam interagindo ao mesmo tempo naquelas condições. O problema é que essas teorias são incompatíveis uma com a outra. A Relatividade se dedica ao estudo do mundo macroscópico, e a mecânica quântica, ao estudo da escala subatômica. Para o modelo do Big Bang ser completamente explicado em suas minúcias, precisamos de uma teoria que unifique esses dois aspectos: o macro e o micro. A atual candidata a isso é a Teoria das Supercordas. Mas aí já é outro papo. Deixemos para a próxima!
( DOCUMENTÁRIO CLIQUE AQUI)


2 comentários:

Raquel Nascimento disse...

Brilhante. Muito bem redigido, parabéns. Desse tipo de revista acho que não se pode esperar muito, ainda mais quando o assunto é ciência.

Felipe C. Novaes disse...

Realmente...rs Revista bem fiel mesmo ao seu conteúdo é a Mente & Cérebro e Scientific American. Essas são menos direcionadas ao público em geral, são mais específicas, o que não impede que uma pessoa comum a entenda. basta tempo pra aprender a linguagem um pouco técnica de seus artigos.

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