sábado, 13 de novembro de 2010

Dossiê Maconha: O Complô Político

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No primeiro post acompanhamos a relação da cannabis com as tradições dos povos ao redor do mundo, bem como quando ela começou a entrar em jogos políticos de poder (lembra de Napoleão indo ao Egito provavelmente para exterminar as plantações de maconha, já que os ingleses, chefes dos mares, usavam o cânhamo para produzir as velas de suas embarcações?). Mas isso não é o suficiente para explicar como as mensagens de ódio, as supostas notícias de que a erva faz um mal danado à saúde e o combate impiedoso aos seus usuários, realmente começou. Como muitas das influências hoje sobre o mundo Ocidental, o responsável por isso é o Tio Sam. Vejamos como tudo começou.

Nas primeiras décadas do século XX, a maconha não era proibida. No Brasil era vista como droga típica de adeptos do candomblé. Segundo os fiéis, a erva facilitava a incorporação. Também era muito usada por trabalhadores rurais, tanto brasileiros quanto americanos. Nos EUA existia certo preconceito com relação aos usuários, que em geral eram negros e mexicanos. Apesar da cara feia da população, a cannabis era sinônimo de lucro. A Ford (sim, a famosa empresa automobilística) estava desenvolvendo combustíveis e plásticos à base de seu óleo. Além disso, era matéria-prima de vários xaropes usados na época, bem como papel, redes de pesca e velas de barco. 

Manifestação contra a Lei Seca
A história feliz de muito lucro e progresso começou a degringolar a partir dos anos 20, quando, por pressão de grupos religiosos protestantes, foi decretada nos EUA a Lei Seca. A Lei proibia a venda de álcool, o que abriu uma lacuna que seria rapidamente preenchida pela maconha. Foi nesse momento que grande parte das camadas populares começou a fazer uso da droga. Para piorar, o país entrou na famosa crise de 1929, mergulhando a nação num buraco. Tal período aumentou a popularidade da erva a ponto de surgirem cafés em que ao invés de as pessoas sentarem e beberem suas biritas, elas sentavam e davam uns traguinhos no “cigarrinho do demo”. No sul do país até rolava uns boatos de que fumar dava força sobrehumana aos mexicanos. Isso fez com que os americanos nativos ficassem ainda mais xenofóbicos porque achavam que usando a droga e ficando mais fortes, os mexicanos iriam roubar as poucas vagas no mercado que ainda sobravam nessa época de recessão. E essas idéias loucas pegaram a ponto de o governo investir pesado na contenção de seu uso. Mas a essa altura, já não adiantava mais porque a planta já tinha caído até no gosto de nomes famosos do jazz, que afirmavam ficarem mais criativos depois de umas tragadas. Foi nesse cenário de muita paranóia, desemprego e xenofobia, que emergiu das sombras um funcionário do governo chamado Henry Aslinger. Sua tarefa era cuidar do contrabando de bebidas alcoólicas, atuando como chefe da Divisão de Controle Estrangeiro do Comitê de Proibição. A proibição oficial fez Aslinger sair de um cargo obscuro e ascender como um dos que iriam chefiar o recém criado FBN (Federal Bureau of Narcotics). A partir daí foram jogadas na imprensa histórias inventadas de supostos crimes brutais cometidos por pessoas sob efeito da droga, mitos de que fazia mal para a saúde e etc (não que não fizesse mal, mas o Diabo foi pintado de um modo mais feio do que realmente é). 
O Czar das Drogas: Harry Anslinger

O escritor Jack Herer, autor de The Emperor Wears No Clothes, afirma ainda que um dos maiores protagonistas nessa guerra foi a empresa petrolífera Du Pont. Nos anos 20, a empresa estava desenvolvendo vários produtos derivados do petróleo, que disputavam mercado com produtos iguais, cuja matéria-prima era o cânhamo. Isso explica o fato de a verba direcionada ao combate de drogas ter se originado em grande parte da Du Pont. O especialista em tráfico de entorpecentes e ex-secretário nacional antidrogas, Wálter Maierovitch, afirma que “a maconha foi proibida por interesses econômicos, especialmente para abrir o mercado das fibras naturais para o náilon”.

A Cannabis sativa, no fim das contas, acabou virando uma arma na mão de governos que queriam reprimir minorias. Como a repressão direta não é uma boa estratégia política e como não se pode fazer alguém simplesmente deixar de ser mexicano, por exemplo, a saída é começar a proibir o que é típico de um mexicano. Assim, se consegue o controle sobre determinada população e ainda faz o governo sair como o bonzinho da história. Assim foi na Europa, onde os governos sempre estiveram doidos para se livrar de imigrantes (exceto quando eles representam a força de trabalho desqualificada e o exército de reserva capitalista), e assim foi no Brasil, onde os negros eram os estranhos no ninho. Mas será que podemos falar em um “foi”? 

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7 comentários:

Anônimo disse...

Não tem a ver com ESSE post, mas vê isso: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI138443-17770,00-RELIGIAO+E+COMPONENTE+GENETICO+AFIRMA+AUTOR.html
Beijo. :)

Felipe disse...

Lerei!


Já vi que o assunto é bem interessante.
Valeu

LORENA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
LORENA disse...

Eu não assimilei bem a relação entre o combate da erva com 'no Brasil os negros eram estranhos no ninho'... onde ela poderia benefecia-los?

Felipe disse...

Não....rs Eu não quis dizer que a maconha é benéfica pra ninguém! haha Na verdade, não vejo nenhuma utilidade prática em qualquer droga usada fora dos padrões e intenções médicas. O que eu quis dizer é que, apesar de a maconha não fazer bem a ninguém, ela também não faz o mal GIGANTE que as pessoas acreditam e nem que o governo americano fez questão de alardear nessa época. Os negros a usavam por questões culturais, como é o caso dos mexicanos. (Não que o uso cultural deva ser incentivado). E como o governo americano queria banir mexicanos e negros de sua nação, eles usaram a estratégia de punir tudo aquilo que era tipicamente mexicano, ao invés de declarar guerra direta aos mexicanos, entendeu? E esse tipo de política é bem comum. Foi usada no Brasil, na Europa....não necessariamente com a cannabis, mas com outros costumes.

Hoje em dia sabemos que a droga faz mal sim! Especialmente à adolescentes. Mas, insisto que ela não é tão maligna quanto parece. Na verdade, se a maconha deve ser proibida, o álcool também deve (coisa da qual sou a favor), afinal, o dano à memória causado pelo consumo de álcool é MUITO MAIOR do que o causado pela maconha.

Clareou??rs

LORENA disse...

Clareou... eu ouvi uma notícia que foi comprovado(recentemente)que o uso da droga afeta o sistema imunulogico e causa cancer... ouviu dizer?

Felipe disse...

Não ouvi não! rs Na verdade o que eu sei vai diretamente contra essa notícia! rs Mas eu ainda pretendo escrever outro post sobre esse assunto. Lá esclarecerei sobre isso!

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