sábado, 22 de janeiro de 2011

O Fim da Astrologia

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Nos últimos dias os crentes em astrologia quase tiveram um ataque por causa da bomba divulgada na internet: uma descoberta astronômica mostra que a conformação dos astros não é a mesma da época da criação da astrologia, isto é, uns 3000 anos atrás; então, tudo o que hoje é defendido fervorosamente por seus fiéis está em risco e...adivinha...ponto para os céticos que sempre duvidaram da validade da prática. Astrologia não é ciência, apesar da insistência de seus adeptos, mas sua gênese ocorreu de forma mesclada com uma das ciências mais tradicionais hoje: a astronomia

 NO PASSADO

O homo sapiens sempre foi fascinado pelo céu estrelado. O céu deve ter despertado a sua curiosidade, que logo passou a servir a um propósito mais funcional: traçar mapas e dominar a agricultura. Esse tipo de interesse não necessitava de nenhum tipo de tecnologia específica e é encontrado traços desse costume em sociedades extintas há tempos remotos; “qualquer caçador-coletor é capaz de realizar tais feitos”, diz o arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP. A percepção de que o Sol obedece a uma determinada trajetória é quase tão antiga quanto o ato de encaixar as estrelas em certas conformações, isto é, as constelações (claro que hoje sabemos que na verdade é a Terra que possui uma trajetória em torno do Sol, não o contrário). 
Zodíaco dos povos da Mesopotâmia - aprox. 1120 a.C.

Essas técnicas ajudaram os povos antigos a produzir um verdadeiro calendário cósmico que usavam para controlar as estações e, consequentemente, a agricultura. Foi na Mesopotâmia (1000 anos a.C.), o berço da agricultura, que a observação dos astros saltou da esfera da simples previsão de estações para a influência no comportamento humano, com a elaboração do primeiro horóscopo que se tem notícia, com os signos que hoje podemos ler sobre na mais simples revistinha de fofoca e simpatias (leia sobre a curiosa correspondência entre o signo de capricórnio e o nome João). Os arqueólogos hoje tem evidência desse costume por causa de algumas tabuletas de argila que foram encontradas, onde constavam claras correspondências entre a posição dos astros e o que acontecia na Terra: "Quando Júpiter estiver na frente de Marte, haverá trigo nos campos e homens serão mortos... quando Marte se aproximar de Júpiter, haverá grande devastação... naquele ano o rei de Akkad morrerá". A partir daí essa relação foi expandida para o Egito, Pérsia, Grécia, Roma e China. Na Pérsia, foi abraçada pela casta dos magos, a classe de sacerdotes que mais tarde daria origem à história dos reis magos. Em 400 a.C., com a dominação do império de Alexandre O Grande da Grécia à Índia, uma esfera propícia para a unificação dos conhecimentos astronômicos e astrológicos foi criada. Nesse momento, não se distinguia o estudo puro dos astros de sua suposta influência no ser humano; era tudo uma coisa só, e isso perdurou até a época de grandes gênios da ciência como Kepler, Galileu e Newton.

A SAGA ISLÂMICA

Com a dissolução do Império Romano e ascensão da Idade Média a astrologia ficou disponível a poucos estudiosos porque exigia muito sofisticação tecnológica e intelectual, coisa rara de se manifestar numa época em que gênios e qualquer um que propusesse algo diferente dos dogmas católicos, era executado. O contexto (século 7 a.C.) propiciou que outro grupo surgisse nessa área: os islâmicos. Por mais radical que sempre fosse, o islamismo, ao contrário do catolicismo, incentiva muito a busca da fé; mas também do conhecimento. Essa “filosofia” fez com que diversos textos das regiões de influência persa e grega, agora dominada pelos seguidores de Maomé, fossem traduzidos para o árabe; inclusive tratados sobre astrologia. O novo conhecimento sobre os corpos celestes contribuiu para o florescimento da matemática, ótica e alquimia (mãe da química moderna). Com as cruzadas, toda a sofisticação obtida no Oriente foi levada de volta para o Ocidente. 

A LUA CONTINUA NO SEU SIGNO, DESTA VEZ DEIXANDO VOCÊ MUITO MAIS RECEPTIVO ÀS ENERGIAS”

Esse enunciado foi retirado de um site de horóscopo . Frases como essas hoje podem ser lidas em muitos jornais e revistas. Se hoje essas informações pseudocientíficas são acessíveis à massa da população, agradeça a William Allen, ou Alan de Leão (como decidiu se chamar depois de fazer seu mapa astral). Leão nasceu em 1860,  foi pioneiro na divulgação de astrologia para as massas e até fundou uma revista batizada de Modern Astrology. Ele também popularizou a idéia de que o lugar ocupado pelo Sol no momento do nascimento seria uma das maiores influências sobre o destino e, pasme, até o caráter da pessoa. Allen deu mais ênfase ao papel do Sol do que as tradições anteriores, mas mesmo assim parece que isso não fez nenhuma diferença para os devotos; afinal, o que importa mesmo é que foi oferecido algo em que acreditar e para as pessoas isso é o que tem relevância.

Com o surgimento do que hoje chamamos de ciência moderna a astrologia virou algo separado da astronomia (essa sim fazendo parte das áreas que usam o método científico), assim como a alquimia foi repartida e surgiu a química. A explicação para essas formas obscuras de conhecimento existirem até hoje é que não importa a época ou o lugar, o ser humano é sempre o ser humano; sempre tentando enquadrar suas experiências em padrões: seja vendo elefantinhos em nuvens, santas na sopa, deuses no mel ou astros de rock na lama (ou animais e deuses em grupos de estrelas/constelações). Sempre vamos tentar dar sentido àquilo que simplesmente foi fruto de contingências exteriores a nós e que são caóticas em si. A astrologia, em conjunto com essa típica característica do cérebro humano, é fruto de uma época em que foi estabelecida uma relação de correspondência entre o que ocorria nos céus e o que ocorria na terra. Os sumérios começaram a criar hierarquias baseadas na formação dos astros, os gregos começaram a formar a figura de um Cosmos, ou seja, um mundo organizado em que o espaço celeste representado pelos céus e corpos celestes deveriam ser imitados aqui na terra. E assim foi em todos os locais em que a astrologia pisou. E assim é ainda hoje com as diversas formas de crenças que existem. 

Saiba Mais





 


6 comentários:

Marina disse...

Ponto pra mim! hahahhaha

não acredito nem em signos semióticos

Felipe C. Novaes disse...

hahaha Então tá 2X0 já!

FiliPêra disse...

Eu sei que não tem nada a ver com o assunto deste post, mas fala um pouco sobre isso aqui futuramente: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=teletransporte-dna&id=010165110117

Abraço

Felipe C. Novaes disse...

Ok! Essa semana vou escrever todos os posts que o pessoal sugeriu e vou começar a postá-los! Valeu pela dica!

Raphaela Soares disse...

"Ele também popularizou a idéia de que o lugar ocupado pelo Sol no momento do nascimento seria uma das maiores influências sobre o destino e, pasme, até o caráter da pessoa."

Nossa isso parece muito com a frase que o Sheldon usou para explicar a personalidade da Penny no primeiro episódio de TBBT....

Na boa, tem gente que é tão louca que ao conhecer um futuro pretendente fica obcecada em descobrir o signo dessa tal pessoa para saber se o futoro deles será ou não promissor. E se os astros dizem que não essa pessoa não leva o relacionamento adiante! COMO ASSIM?

Um dia eu gostaria de entender essa necessidade que as pessoas tem de se apegar a contos e ilusões para ter uma "vida plena"....

Felipe C. Novaes disse...

hahaha Caraca! Que memória boa!! A série tá já na quarta temporada e vc lembra do que foi dito no piloto!

Putz....essa é a prova de que a pessoa leva mesmo à sério esse negócio de astrologia. Acho que no fundo as pessoas só querem resostas para seus questionamentos....O problema é que nem todo mundo tem um critério que defina que tipo de respostas são as melhores e mais coerentes. A maioria é tão carente (e talvez preguiçosa) que se apega a qualquer coisa, desde pés-de-coelho e figas até astrologia. :/

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