domingo, 24 de janeiro de 2010

Maçonaria no Novo Mundo (PARTE 2)

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No post anterior, falei de forma sintética sobre a origem oficial da maçonaria. Agora escreverei um pouco sobre como ela se espalhou pelo mundo.
Acho que a maioria das pessoas se lembra, pelo menos vagamente, de que os norte-americanos são descendentes em grande parte de imigrantes ingleses. Talvez os motivos que resultaram nessa imigração estejam esquecidos, mas vou refrescar-lhes a memória rapidamente.
No séc. XVII, a Inglaterra passava por muitas transformações. O país se tornava um dos mais prósperos economicamente da Europa, graças à implantação paulatina de técnicas capitalistas de produção. Como conseqüência disso, as terras usadas para o cultivo principalmente de algodão e para a criação de ovelhas [por causa da lã, que era usada pelas indústrias têxteis para produzir tecido] foram cercadas, o que significa que passaram a ser propriedade privada e os homens que viviam nessas terras e tiravam dali seu sustento, foram expulsos dela. Resultado: a única saída foi fugir para as cidades, que começaram a crescer.
Outro fator importante para a imigração foi a criação da Igreja Anglicana, pelo Rei Henrique VIII, que passou a perseguir os calvinistas, também conhecidos como puritanos. A única opção para os puritanos foi fugir para o Novo Mundo e estabelecer lá sua religião, em paz. O mesmo processo ocorreu para os camponeses expulsos de suas terras. Nas cidades, enfrentavam muitas dificuldades, o que fez com que a notícia de uma terra ao longe para que reconstruíssem suas vidas, os atraíram bastante.

Como alguns de vocês já devem ter deduzido, muitos desses ingleses fujões pertenciam à maçonaria. E foi lá, no Novo Mundo, que ela atingiu o ápice. Ela foi responsável por episódios históricos importantíssimos, que culminaram, em 1776, na Independência das Treze Colônias; a Festa de Boston, em que um grupo de maçons jogou um carregamento inteiro de chá inglês no mar. Mas a influência da Ordem não para por aí. A própria Declaração de Independência foi redigida e assinada por maçons. A influência era tanta que até o primeiro presidente foi um maçom... Mas não um qualquer....mas sim o Grão-Mestre de uma das lojas americanas.

Um pouco mais tarde, em 1789, mais uma revolução que mudaria o mundo seria influenciada pelos irmãos: a Revolução Francesa. Não é coincidência que os 3 pontos que todo maçom inclui em sua assinatura, e o uso do triângulo como símbolo, signifique “liberdade, igualdade e fraternidade”, também ideais da Revolução Francesa.
Na América do Sul a Ordem também teve sua participação: Simón Bolívar, o venezuelano que desejava tornar a América do Sul um único país, também era um irmão. Nós brasileiros, devemos agradecer à maçonaria, em parte, pelo Brasil ter conquistado a independência em 1822. D. Pedro I era um maçom de alto grau. A independência, de fato, foi decidida e planejada em lojas maçônicas, assim como o famoso “Dia do Fico”. Sua influência continuou ocorrendo na República Velha [afinal, Marechal Deodoro da Fonseca era um deles] e até nos anos 30, na crise que envolvia o fascismo e o comunismo. Daí vemos que apesar de supostamente secreta, a maçonaria é bem participativa; daí a frase de alguns maçons: “a maçonaria não é uma sociedade secreta, e sim uma sociedade com segredos.”
Em breve escreverei sobre quais ícones mundiais atuais são membros da Ordem e sobre teorias conspiratórias que a envolvem. Até breve!
OBS: Essas fotos do post são pinturas dos pais fundadores dos EUA, George Washington e Benjamin Franklin respectivamente, ambos com avental usado em reuniões e rituais da maçonaria. Percebe-se um colar com uma espécie de triângulo como pingente, símbolo bastante utilizado por eles também em um anel que todos possuem, em que é mostrado um compasso e um triângulo. Também percebe-se, na pintura de Benjamin Franklin, um "G" na parede. Essa letra é a inicial de God, que eles preferem chamar de Grande Arquiteto.
A outra figura é muito conhecida dos conspiradores, é a pirâmide com o olho que tudo vê, presente na nota de 1 dólar. O olho que tudo vê no cume da pirâmide, destacado dela, simboliza o Grande Arquiteto e a busca do homem pela iluminação e cumprimento dos propósitos de Deus. O fato de o cume estar separado simboliza a parte divina que o homem busca atingir.


1 comentários:

Rapha disse...

Achei mais uma vez muito interessante, Amor!!! Tá melhorando cada vez mais!

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