domingo, 17 de janeiro de 2010

Universos Bebês

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Por que estamos aqui? Tenho consciência de que é uma pergunta que exige uma resposta bem ampla. A pergunta já foi feita por muitos e muitos já tentaram responde-la, desde filósofos e biólogos, até físicos e astrônomos. Aqui vou me ater aos últimos.

Nós sabemos muitas coisas sobre o universo, coisas que nos fazem entender como ele veio a existir. Tudo começou com o Big Bang, há 13,5 bilhões de anos, momento em que toda a matéria do universo, que antes estava contida num minúsculo ponto condensado, num momento máximo de pressão e aumento de temperatura, se expandiu violentamente espalhando toda a matéria antes condensada. Com o passar dos milhões de anos, estrelas foram se formando por meio do agrupamento de elementos abundantes como hidrogênio e hélio. As estrelas são verdadeiras fábricas de elementos químicos, já que as reações que ocorrem em seu núcleo acabam fundindo o hidrogênio e hélio, formando outros elementos. As maiores estrelas, além de fabricar elementos, ainda guardam uma bela surpresa, no momento de sua “morte. Sua gravidade é tão intensa que viram buracos negros, que possuem gravidade tão intensa que nem a luz escapa de ser sugada.

A fabricação de elementos proporcionada pelas estrelas foi a base para o surgimento de elementos [principalmente o carbono] que constituem a matéria orgânica que formou os primeiros seres vivos e que é a base química para a nossa existência ainda hoje. Isso leva a uma questão complexa, que ainda não foi respondida de forma decisiva pela ciência: descobrimos como o universo se formou, mas por que ele existe em moldes tais que proporcionam o surgimento da vida? Parece que o universo é perfeitamente regulado. Por exemplo: se a gravidade fosse um pouquinho mais forte, as estrelas teriam vida muito curta e nunca haveria tempo hábil para a evolução das espécies; se fosse um pouco mais fraca, não seria capaz de agregar a massa em estrelas. E a atração mútua entre elétrons e prótons? Se fosse diferente do que é, não existiriam átomos estáveis.

É claro que os religiosos têm uma resposta pronta: Deus. Mas os cientistas não ficam satisfeitos com respostas tão simples. O famoso astrônomo Stephen Hawking diz que essa questão é fruto do princípio antrópico, ou seja, é uma pergunta que só pode ser feita porque o universo é dessa forma e nós estamos aqui para questionar isso; em um universo que não existissem as mesmas propriedades, seres como nós não estariam lá e a questão nunca seria levantada.

Alguns cientistas se sentem incomodados com essa explicação, e já que não existem experimentos e nem provas concretas para fundamentar esses argumentos, a imaginação acaba rolando solta. Isso os incentivou a imaginar a existência de um Multiverso. O nosso universo seria só mais um entre muitos outros, talvez infinitos outros. Mas, concordemos todos, essa é uma hipótese tão metafísica quanto à dos criacionistas. Para ela ser um pouco mais concreta, teria que haver um modo de explicar como esses outros universos vieram a existir.

Foi isso que o físico americano Lee Smolin, acredita ter feito. O nome de sua hipótese foi apelidada de Universos Bebês e, curiosamente, foi inspirada em Darwin. Segundo ele, o universo não “anda” em direção ao surgimento da vida, como muitos gostariam de acreditar, e sim, na da formação de buracos negros! Eu mencionei que os buracos negros possuem uma gravidade tão intensa e brutal, que nem a luz escapa deles, lembra? Então, segundo Smolin, os buracos negros são passagens para outros universos, que quando sugam a matéria contida no nosso, acaba transportando-a para esse outro universo, proliferando assim, os moldes de um universo que deu certo, como o nosso. Assim, universos incapazes de gerar buracos negros, não gerariam outros universos e estariam fadados ao esquecimento. A partir daí fica bem clara a analogia com a Teoria da Evolução.

Bom, eu particularmente achei essa uma idéia metafísica, que apesar de ter uma coerência racional, não tem nenhuma base concreta, mas achei que é uma idéia bastante curiosa e que valeria à pena postar aqui. Não devemos menosprezar esse tipo de idéia, já que grandes contribuições para a ciência começam dessa forma, como meras abstrações.

Sugestão de leitura: A Vida do Cosmos – Lee Smolin


4 comentários:

Rapha disse...

O melhor post até agora!

Carlos psicologo disse...

Ótimo post. Reflexivo. Valeu pela visita e comentário ao meu blog. Abraço.

Felipe C. Novaes disse...

Oi amorzão! Que bom que vc gostou! rs
Já to preparando uns outros sobre física, astronomia e coisas do tipo!

Felipe C. Novaes disse...

Carlos! É...fui lá no seu blog! Achei realmente interessante1 Já to aguardando novos posts! hehe
Abração e valeu por ter vindo aqui!

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