sábado, 21 de agosto de 2010

O Vírus Mental

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Qual é o pior parasita? Uma idéia. Uma única idéia de uma mente humana pode construir cidades. Uma idéia pode transformar o mundo e reescrever todas as regras. E é por isso que eu tenho que roubá-la.

Essa é uma das falas de Leonardo DiCaprio em um dos empolgantes trailers do ÓTIMO filme Inception [que não sei por que diabos, foi traduzido como A Origem].(Veja aqui e aqui os trailers)

Desde a primeira vez que eu vi o trailer e ouvi a citação acima, correlacionei com uma idéia que vem ganhando cada vez mais espaço entre filósofos darwinistas e alguns cientistas. Essa idéia é a memética.

A palavra vem do termo grego mimeme (imitação) e foi adaptado para meme na tentativa de fazer alusão a “gene”. Sim, caro leitor, para entender o que é a memética, invocarei a genética. A idéia foi citada pela primeira vez nos anos 70, no livro O Gene Egoísta cujo autor é Richard Dawkins (Saiba mais) . Pois bem, nesse livro Dawkins dedica quase todo o tempo em passar os conceitos por trás da seleção natural. A idéia bem simples é que os genes, metaforicamente, seriam entidades biológicas egoístas porque só se “importariam” em serem passadas adiante e para isso desenvolveriam toda uma rede de aparatos para entrar na disputa com outros genes a fim de se propagarem. Uma dessa armas foi a própria criação de um organismo dotado de cérebro.

Isso é o que explica toda a diversidade biológica atual. Agora imagine uma idéia que explicasse a cultura, nos moldes darwinistas. Segundo Dawkins, as idéias que passam por nossas cabeças são um tipo de parasita (ou vários tipos) que assim como os genes, são egoístas e só se importam em serem passados adiante. Assim como o gene é uma unidade de informação biológica, o meme é uma unidade de informação cultural. Portanto, a crença em seres divinos é um meme, um novo tipo de corte de cabelo é um meme, um tipo de roupa que vira moda é um meme e por aí vai. Pensando bem, essa hipótese bem que faz sentido. Lembro que quando eu estava no colégio, bastava um dia um aluno aparecer com algo novo no pátio que na semana seguinte tinha um número imenso de alunos copiando o que a primeira criança estava fazendo. Foi assim com a onda do Tamagoshi, com ioiôs, com bolas de gude e por ae vai. Era como uma epidemia que se alastrava ferozmente. Hoje em dia podemos ver isso quando recebemos e-mails ou recados virtuais de amigos. Quem nunca se deparou com aquelas carinhas assim :)? Dawkins e os memeticistas diriam que esse é um belo exemplo da ação dos memes, ou seja, eles infectam um cérebro e em seguida começam a se alastrar por outros porque os seres humanos (primatas em geral) tem uma capacidade singular de imitação. Dessa forma, assim como um gene desenvolve um corpo, um organismo para ampliar suas capacidades de propagação, um meme desenvolveria uma biblioteca, por exemplo. Essa idéia é um tanto polêmica, mesmo que tudo relacionado à memética seja mera hipótese, porque lança dúvida sobre um conceito muito precioso para muitos: o livre-arbítrio. Assim, nós seríamos mero depósitos de idéias que estão “vagando” por aí. Quer pensar um pouco sobre essa possibilidade? Então responda o motivo pelo qual você pegou a mania de colocar carinhas :) no final das suas frases? Se você não for do tipo que escreve assim, então me responda: Por que você decidiu usar aquela calça jeans da moda ao invés de colocar qualquer outro tipo de roupa? Você sairia na rua de burca? Claro que não, diria um memeticista, porque você não foi infectado pelo meme da burca.

Já vimos que os genes eventualmente sofrem mutações e assim passam a codificar uma característica nova, benéfica ou prejudicial. Os memes também se modificam periodicamente, como a própria noção de meme é um meme, ele também se modifica.

É interessante perceber como que o atual movimento da Nova Era tem um poder incrível de agregar um conjunto enorme de idéias e deturpá-las de uma maneira inacreditável, à seu favor, claro. Isso já foi feito com símbolos de várias religiões, mitologias, por que a memética ficaria de fora? Dessa forma, diversos boatos são criados e espalhados. Um dos mais famosos é o do centésimo macaco. Diz a lenda que cientistas japoneses foram fazer experiências com macacos de uma ilha do arquipélago japonês. E começaram a alimentar os animais. Num determinado momento, um dos macacos molhou a batata noa água do mar, que era o alimento dado pelos cientistas. Assim, o primata percebeu que a batata ficava bem mais soborosa se estivesse molhadinha. Assim, como se fosse uma peste, todos os macacos da ilha começaram a copiar o comportamento deste primeiro símio que molhou a batata. Mas o impressionante é que, segundo a lenda, os macacos de outras ilhas subitamente começaram a fazer a mesma coisa a partir do momento em que, na ilha original, o centésimo macaco foi “infectado”. Ou seja, esses adeptos da Nova Era acham que existe um pico de infectados e que a partir daí o meme começa a ser espalhado telepaticamente para todo o mundo como se fosse uma epidemia de idéias e comportamentos. E eles aplicam essa idéia deturpada alegando que se houver uma certa quantidade de hospedeiros da idéia, por exemplo, de que deve haver paz no mundo, instantaneamente todos os seres humanos serão contaminados e assim haverá paz. Na época da Guerra Fria houve até uma conscientização em massa dos adeptos do movimento para que houvesse uma mentalização coletiva para que não houvesse uma guerra nuclear.

A hipótese da memética é bem interessante e representaria um marco na história da ciência ao ser postulada porque uma teoria que explicasse desde a biologia até a cultura de uma só vez é algo bem desejável. Mas a idéia inicialmente proposta por Dawkins permanece só como uma HIPÓTESE, já que os próprios especialistas da área assumem que para ser confirmada faltam experimentos que a comprovem. Mas enquanto não bolam um jeito de comprová-la e nem de refutá-la de vez, podemos nos contentar em ver uma alusões ao assunto num filme igualmente interessante como Inception. :)


8 comentários:

FiliPêra disse...

Antes de comentar pela segunda vez, devo dizer que gostei muito do seu blog, provavelmente comentarei mais vezes. Da forma que você tende a ser mais Materialista (ao menos Eu acho que é, por alguns posts que li aqui), Eu tenho a tendência a ser mais Agnóstico. Creio que as duas classes são importantes, uma colocando a outra num lugar diferente do que estaria sem forças opostas a confrontando. Por isso considero Materialistas tão importantes quanto Agnósticos, apesar de achar que todo o cientista deveria ser quase completamente Agnóstico, ou sairia do campo "ciência" e entraria no campo Religião, caso tenha tendências fundamentalistas.

Por isso Eu não taxaria de besteira tão rapidamente a tal lenda dos macacos japoneses. E não diria que a hipótese é "de gente da Nova Era". Uma teoria pra explicar fenômenos do tipo (que existem, vários autores de Biologia desde os anos 20 descrevem fenômenos assim) foi levantada pelo PhD Rupert Sheldrake no livro "A New Science of Life" (lançado em 1981), onde ele descreveu tal fenômeno como Campo Morfogenético. Quem leu a descrição de Dawkins sobre memes (simplista, na minha opinião de leigo. Tô me formando em Jornalismo e tô pra iniciar a faculdade de Psicologia) e a comparou com o livro de Sheldrake (Eu não li "A New Science...", mas li "A Presenca do Passado"), que tem vários experimentos que apontam para a teoria dele como uma verdade empírica, provavelmente chegou a conclusão que Sheldrake foi mais científico que Dawkins.

Uma descrição interessante da Teoria do Campo Morgenético pode ser lida no Saindo da Matrix: http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2007/06/campos_morfogeneticos.html

O que me parece é que qualquer coisa que passe por cima das leis de causalidade da Física, bem como do continuum Espaço-Tempo (a comunicação via Morfogênese se daria em velocidades instantâneas, algo similar ao experimento do Teorema de Bell) assustam por demais os cientistas "puros" que se prenderam em mecânicas leis criadas. A meu ver, a Ciência deve se comportar como Thomas Kuhn descreveu no livro "Estrutura das Revoluções Científicas": abandonando velhos preceitos quando eles parecem por demais defasados. Não estou dizendo que Sheldrake é melhor que Dawkins (embora me pareça, pela descrição dele de sua teoria. Dawkins, infelizmente, deixa a parcela "missionária fundamentalista" dele se sobressair à científica), ou que os Campos Morfogenéticos superam o Darwinismo... mas sim que eles não devem ser taxados de baboseiras a priori (a revista Nature disse que o livro de Sheldrake deveria ser queimado numa fogueira), por ir de encontro a leis científicas atuais.

Imagine se Einstein, Copernico, Santos Dumont, James Bell, Freud... e vários outros pensassem assim. A Ciência deve se ocupar em experimentar e testar teorias a posteriori, e não propalar e defender ideologias. E a Teoria de Sheldrake (caso não tenha lido, leia. Ele não está sozinho nesse pensamento: James Lovelock escreveu algo parecido, assim como Henry Bergson. Dizer que esses dois foram refutados me parece uma falácia e uma vontade de sobrepor o Darwinismo acima de tudo, no melhor estilo Dawkins). A revista NewScientist e a Brain/Mind Bulletin fizeram experimentos da teoria de Sheldrake, e os dois experimentos pareceram comprova-la.

Lógico que existe um sem-número de gente fazendo babaquice (Eu mesmo não são fã de boa parte do trabalho que conheço de Amit Goswami, personagem do outro texto que comentei, justamente por não ser científico), mas não se deve confundir essa gente com pessoas sérias como Sheldrake e Leary (outro perseguido, assim como Wilhelm Reich... por empreenderem "pesquisas perigosas", segundo o governo americano) que realizam (ou realizavam) pesquisas que parecem colocar abaixo leis da Física, Biologia e Matemática.

Abraços e mais uma vez parabéns pelo blog

Felipe C. Novaes disse...

Opa! Valeu pelo elogio! Seus comentários serão sempre bem-vindos, sendo favor ou contra o que eu disser....qualquer sugestão também é bem-vinda.

Não sei se entendi tão bem o que vc quis dizer na parte do agnosticismo e materialismo. Não sei se as duas correntes podem ser comparadas em termos de oposição. Pelo que eu entendo, o agnosticismo defende a idéia de que é impossível sabermos se existe um deus ou algo além daquilo que existe em nosso mundo. Eu concordo com essa abordagem. Acho que existe essa impossibilidade, mas confesso que tendo a achar que não existe nada além; mas de qualquer forma me mantenho aberto à essa possibilidade. Nesse sentido considero todas as religiões e tentativas de comunicaçõ com algo sagrado, ilusões da mente humana por caus dessa impossibilidade essencial.

A Teoria do Campo Morfogenético me parece mais metafísica que científica: fala de uma espécie de energia ou rede invisível e indetectável que espalha pelos seres vivos e partículas certa informação. Isso é metafísica pura. Devo dizer que não devemos descartar por completo a hipótese, mas temos teorias mais bem explicadas e mais "pé no chão" que explicam esses fenômenos sem lançar mão do metafísico, isto é, mantendo o princípio da parcimônia. No exemplo real que ele dá dos gatos...bom, não vejo nada que a explicação Darwinista não cubra. Irmãos gêmeos criados separados também tem muitos comportamentos idênticos, como brincadeiras e coisas aparentemente subjetivas. Tudo isso é explicado pela idêntica carga genética. No exemplo dos outros animais, como gatos, que são muito mais determinados pela biologia, a explicação Darwinista é ainda mais coerente. Enfim, não vejo o porquê substituí-la por uma teoria que abre mais perguntas do que responde coisas. Sobre a embriologia, bom, na faculdade eu também tive essa matéria e as diferenciações celulares que ocorrem são perfeitamente explicáveis sem nenhuma rede invidível. E não são as condições do ambiente externo que importam, como o "saindo da matrix" disse, que importam, mas as condições externas no sentido de externo ao embrião, ou seja, o próprio corpo da mãe.

Felipe C. Novaes disse...

Em resumo, achei interessante a hipótese, mas cientificamente é inválida porque ela não segue a parcimônia, é metafísica, e segue a mesma linha que os físicos indianos que tentam misturar conceitos de religião e misticismo com física e biologia, através de analogias que não são analogias de verdade e sim uma pretensão de dizer que a religião falava exatamente da mesma coisa que a ciência fala hoje, sendo que isso nem sempre é verdade.

Concordo quando diz que conceitos não devem ser taxados de baboseira a priori. Mas a questão no presente caso é que essa nova hipótese fala de muitos conceitos que devem ser aceitos a priori, como por exemplo a coisa das velocidades instantâneas. Hoje sabemos que a velocidade maior a que se pode chegar é 300 Km/s. Não podemos simplesmente criar uma nova hipótese em que esse postulado é quebrado. Devemos ter evidência de que tal postulado não é verdadeiro antes de aceitar uma hipótese que englobe velocidades intantâneas. E a Teoria dos Campos Morfonéticos faz isso o tempo todo, ou seja, inclui em seu corpo, fatos que antes de fazerem parte de uma teoria bem estbelecida devem ser comprovados.

Einstein, Copernico, Santos Dumont, James Bell, Freud e outros, revolucionaram a ciência propondo novos conceitos, mas eles comprovaram suas propostas...não criaram uma hipótese para explicar certo fenômeno, invocando com ela vários conceitos sem comprovação.

Mas enfim, foi interessante vc trazer essa discussão, sobre um assunto que eu não conhecia bem.
AH E FIQUE LIGADO PORQUE EU SEMPRE RESPONDO AOS COMENTÁRIOS....SE QUISER ACRESCENTAR ALGUMA COISA...

FiliPêra disse...

Eu reparei que você sempre responde. E rápido, isso sempre incentiva mais comentários.

Quando me referi a Agnosticismo, não quis dizer exclusivamente a incerteza com relação a Deus (que era a maior questão pré-científica da época em que se começou a usar o termo), mas sim incerteza com relação a qualquer coisa. Alguém que não tem certezas absolutoas, que fica sempre questionando. Obviamente que existem modelos que descrevem muito melhor os fenômenos naturais e humanos do que outros (a Evolução a mim e para muitas pessoas parece descrever a origem do homem de forma muito mais sucinta e acertada do que a Criação como descrita na Bíblia, por exemplo... e isso nem é lá muito discutível), mas nem por isso devemos ficar presos nesses modelos e taxar certas conclusões de "impossíveis" só por ir de encontro a modelos e teorias que temos hoje. O modelo newtoniano descreveu uma série de mecânicas do mundo por mais de 200 anos, até que Einstein fundamentou a Relatividade Especial.

Da mesma forma como você expressou, também considero religiões como projeções de aspectos psicológicos humanos - aspectos universais, diria Jung, o que explica como várias religiões são tão parecidas em culturas parecidas.

O Materialista seria justamente o inverso disso, aquele que geralmente tem certezas a priori. Um exemplo clássico é Dawkins, ou sua versão mais antiga: Thomas Huxley.


Também encaro os Campso Morfogenéticos como uma hipótese - bem fundada, mas que precisa ser comprovada. Mas não colocaria inteiramente no campo metafísico, já que existem indícios da atuação dela. Dizer que é metafísica pura, é colocar, na minha visão, muita coisa do que se sabe da Astronomia no mesmo campo, como a misteriosa Energia Escura ou muito do que se sabe de Buracos Negros. No caso dos Buracos Negros admitiram a existência deles antes de qualquer descrição sobre como se comportavam.

E existem outros exemplos que contém indícios da teoria de Sheldrake (o que não necessariamente a prova, mas indica que ela deve ser estudada mais a fundo e não descartada). Acho que existem coisas na teoria dele que o Darwinismo não prevê (ou sutilmente passou a prever depois que ele mostrou a teoria dele), como o caso dos cachorros que vão até a janela ou dos cristais, descritos com certa carga de detalhes no Saindo da Matrix.

Um outro indício vou colocar aqui, reproduzido do livro "New Inquisition":

"Em 1939, o ornitologista David Lack tentou um experimento com pintassilgos capturados nas Ilhas Galápagos, onde não existem predadores de pássaros há centenas de milhares de anos (Darwin utilizou uma grande variedade de espécies de pintassilgos das Ilhas de Galápagos como um exemplo da seleção natural). Lack capturou mais de 30 pintassilgos de quatro espécies diferentes e os enviou para um amigo na Califórnia. Os pássaros demonstraram o reflexo de medo, tentando agachar-se e esconder-se, quando um falcão ou um abutre voou sobre eles. Essa "imagem" e o medo associado haviam continuado por centenas de milhares de anos em um ambiente onde eram desnecessários."

Tais testes não são conclusivos, mas indiciam algo parecido com o demonstrado por Sheldrake e por Jung (não creio que o Darwinismo explique isso) em sua hipótese do Inconsciente Coletivo (geralmente taxado de não-científico, embora em seus livros - e em vários outros - existam indícios do empirismo da teoria).

Se não é necessário abandonar Darwin, seria interessante reve-lo. Discordo que Sheldrake se aproxima dos físicos indianos, já que ele vê a necessidade de comprovar sua hipótese/teoria empiricamente, o que não é o caso de vários dos indianos.


Na minha opinião, a velocidade da luz já foi quebrada, justamente no Teorema de Bell. Não sei como isso influiria na ciência macroscópica, mas parece ser um fato de que ela não é 100% válida, que existe a possibilidade de haver algo mais rápido que a luz. Talvez informação não carregue energia, por isso não se comporta como especificado pela Relatividade.


Enfim, o debate é sempre bom : )

Felipe C. Novaes disse...

Então vc usou o termo agnóstico querendo se referir ao ceticismo, correto?

Não estou tão certo quanto a esse dogmatismo que vc atribuiu ao materialismo não. Acho que os materialistas são céticos, mas eles tendem a, de acordo com as evidências de que dispomos hoje, de ignorar qualquer argumento que necessite da invocação de conceitos que venham da metafísica. Mas isso não faz com que os materialistas não estejam dispostos a considerar outros modelos metafísicos, caso seja possível se comprovar. Pelo menos eu acho que a maioria dos materialistas pensam assim. Com relação ao Dawkins, acho que ele argumenta de maneira muito fervorosa a favor das evidências, que não nos fazem necessitar invocar entidades sobrenaturais. Mas o que ele diz é verdade....não há evidências que se vlham a pena usar para questionar os atuais estudos. A diferença do Dawkins pra outros cientistas é que ele defende seus pontos com muita garra e outros já fazem isso mas vez ou outra deixam uma paleta de dúvida no ar. Mas assim como esses, Dawkins sempre diz que se alguma evidência fizer com que ele mude de opinião, será bem-vinda.

A Teoria Morfogenética tramita no reino da metafísica porque ela serve para explicar a transmissão de comportamento em gatos, só para pegar um exemplo do site que vc me passou, mas acontece que já existe uma teoria que explica muito bem esses fenômenos, sem precisar invocar uma energia que é transmitida de maneira invisível e indetectável entre as entidades materiais. No caso da Energia Escura...ela é uma conjectura criada para explicar o porquê de certos fenômenos observados, como uma força maior que a gravidade que faz as galáxias se distanciarem um das outras. Não existe uma teoria mais simples que explique tal fenômeno. E no caso dos buracos negros...inicialmente eles eram apenas uma consequência de cálculos matemáticos feitos por Einstein se não me engano. Depois certos fenômenos foram detectados e todas as outras evidências coletadas convergiram para a comprovação da questão do buraco negro. Mas não existiu essa atitude que vc mencionou, de primeiro concordarem que ele existe pra depois procurarem evidências. Tem vários documentários que falam sobre isso....dá uma procurada (sugiro os com o Stephen Hawking e um apresentado por Morgan Freeman.)

Felipe C. Novaes disse...

Sobre o experimento dos pintassilgos e o Inconsciente Coletivo de Jung....bom, o que tenho a dizer é que a emoção do medo está presente em todas as espécies. É um reflexo básico à sobrevivência. Não creio que a ausência de um predador específico por milhares de anos retiraria isso do comportamento geneticamente programado de um animal. Poderia até acontecer, mas as mutações são aleatórias então não se pode protestar com relação a uma capacidade não usado há muito tempo e que ainda está presente. O que acontece é que se surgisse uma mutação que tornasse um dos pássaros 'sem medo", não existiria nenhuma pressão ambiental que selecionasse os medrosos ou os sem medo, entende? O seu questionamento pareceu baseado numa espécie de lei do uso e desuso, que já é território do Larmarck, e não de Darwin.
O Inconsciente Coletivo de Jung se refere à aspectos inconscientes comuns a todos os seres humanos...Os junguianos modernos falam que esses aspectos certamente tem alguma relação com a genética, possivelmente uma interação entre genética e ambiente.

Não sei se estou certo, mas o Teorema de Bell ao qual vc se refere é aquele que fala do entrelaçamento quântico?
Bom, nesse caso, eu diria que o mundo subatômico é cheio de incompatibilidades com a física macroscópica realmente....mas seus efeitos não contam macroscopicamente portanto não sei se posso dizer que as leis subatômicas invalidam alguma coisa do mundo clássico. As Leis do mundo macroscópico continuam compatíveis com a teoria de Einstein, de que nada pode ser mais rápido que a velocidade da luz...a não ser nessas condições de singularidade, claro.

Claro, um debate é sempre bem-vindo. :)

Anônimo disse...

Olá Felipe

Entre outras coisas, falta ao modelo do Dawkins a compreensão de que os complexos meméticos (ou memeplex, como diz a Susan Blackmore) precisam ter um núcleo arquetípico para serem incorporados à psique. Os "memetologistas" vivem dizendo que, como os organismos, os memes vivem numa competição darwniniana pela sobrevivência dos mais aptos. Os memes mais aptos são aqueles que conseguem "aderir" à estrutura da mente e se reproduzir. Mas eles não sabem explicar o que é que torna um meme mais apto que outro. Imho, a resposta é que os memes mais bem-sucedidos são os que possuem uma configuração análoga à das estruturas arquetípicas da psique. Essa configuração funciona como um "gancho" que permite ao memeplex se acoplar a essas estruturas.

Outro problema do Dawkins é que a base da crítica dele às religiões é a de que elas não passam de memes. Mas, de acordo com as premissas do próprio Dawkins, a ciência e mesmo a teoria da evolução também são memes. Então, o embate dele contra a religião não é uma luta da verdade contra o erro, mas uma disputa entre dois memeplexes pelo controle territorial do cérebro.

Abraços

Felipe C. Novaes disse...

Excelentes pontos!

Bom, eu acho a hipótese da memética bem interessante, apesar de não ser adepto dela. De fato, dawkins não consegue explicar o motivo pelo qual um meme é mais apto que outro. Eu n]ao sei exatamente o que essa estrutura arquetípica da mente ignifica no âmbito da memética, ma sei o que é no âmbito da psicologia junguiana. Deve ter algo a ver com isso né? Os arquétipos seriam padrões estruturais inerente à arquitetura mental, onde as idéias se fixariam, ou seja, as idéias entram na nossa mente e repousam nesses recipientes que são os arquétipos. Aho a mitologia uma grande prova de que os arquétipos são um fato.

É...o fato de a ciência ser um meme também, de acordo com Dawkins, realmente a coloca em pé de igualdade com a religião, também considerada um meme. Iso contradiz muitas coisas ditas pelo biólogo.

Acho que toda essa coisa dos memes serve como uma espécie de analogia básica para certas situações, mas não todas. Interpretar como algo factual pra mim é um erro já que não tem como comprovar que essas coisas existem da forma como Dawkins fala.

Abraço

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