Autor: André Rabelo
Blog: Socialmente
Reações impulsivas podem ser um problema sério na vida de muitas pessoas. Assim como o Cookie Monster,
personagem da vila sésamo, podemos ter poderosas reações impulsivas ao
nos depararmos com algo que gostamos muito, como biscoitos, no caso
dele. A impulsividade alimentar pode agravar quadros de obesidade e
também problemas de pressão alta, colesterol e depressão. Se
considerarmos que as nossas mentes podem ser influenciadas de maneira tão automática
por pistas no ambiente, como alimentos saborosos na prateleira de uma
cozinha, seria muito útil se conseguíssemos desenvolver procedimentos
que ajudassem as pessoas a se regularem.

Nos anos 70,
o psicólogo Paul Ekman começou a investigar se as expressões faciais seriam
universais ou se eram simplesmente um produto cultural. Desde então,
contrariando sua própria tese inicial – de que seriam relativos ao contexto
social - , Ekman concluiu que existe uma boa quantidade de evidências para
deduzir que trata-se de uma característica universal. Apesar disso,
pesquisadores discordando nunca faltaram. Um dos focos dessa crítica é a
alegação de que o sorriso não se referiria sempre à emoção da alegria (O que é emoção?), mas
também a emoções negativas (Birdwhistell, 1970) dependendo da cultura em
questão. Não obstante, em parceria com Davidson, Ekman promove um interessante
estudo para verificar a afirmação de um contemporâneo de Darwin – o neurologista
Duchenne - , de que na verdade haveriam vários tipos de sorriso mas que um
seria o legítimo da emoção alegria. Este estudodemonstraria se a hipótese de
Duchenne está realmente correta à nível neurológico, o que também fornecerá um
importante insight para pensarmos a opinião de Birdwhistell (Ekman &
Davidson, 1993).
Eliane
Brum, colunista da Revista Época, escreveu um excelente texto intitulado A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico. Ela conta a história de uma jornalista que pega um taxi e acaba entrando numa
conversa com o motorista, que revela ser evangélico. A revelação em si do
taxista é interessante pois ela acontece quando ele comenta que precisa ler
mais para melhor seu português e que morre de vontade de ler é a Bíblia.
Estereótipos geralmente são vistos como informações equivocadas e às vezes até ofensivas. Parece que o simples fato de encaixarmos uma pessoa, ou uma característica de uma pessoa, num grupo específico é uma atitude segregadora e preconceituosa. Mas, nunca me saiu da cabeça a possibilidade (às vezes até a constatação) de certos estereótipos corresponderem à realidade. Talvez um dos estereótipos mais difundidos seja a preferência de meninos por carrinhos e objetos geralmente relacionados à mecânica, e a de meninas por bonecas, rostos e bebês (bonecos). A maioria das pessoas acharia óbvio que essas predileções se originam de convenções sociais. Bom, não é bem por aí. Uma boa quantidade de estudos com humanos echimpanzés sugere que esse dimorfismo sexual tem suas raízes na biologia - ou que, pelo menos, é uma questão cultural que tem suas raízes na biologia (Para saber mais sobre isso leia: Inato X Aprendido e Inato X Aprendido 2).